Flávio Bolsonaro vira saco de pancada da direita

O Progressistas vê a pré-candidatura de Flávio como uma decisão isolada que fragiliza a unidade do bloco e abre espaço para um nome alternativo.

O líder do PP na Câmara afirmou que Flávio se lançou sem diálogo prévio com os aliados e rompeu articulações que vinham sendo construídas no centro e na centro-direita.

PP e União Brasil oficializaram o distanciamento e optaram pela neutralidade no pleito nacional.

A partir de agora, os diretórios estaduais ganham autonomia para definir alianças regionais e se proteger em regiões onde Lula tem força.

Com a neutralidade nacional, a federação não vai embarcar nem na candidatura de Flávio nem na de Lula.

O PSD seguiu o mesmo roteiro e decidiu lançar candidatura própria com Ratinho Junior.

Esse duplo movimento deixa Flávio Bolsonaro sem os dois maiores blocos do centrão que sustentavam o bolsonarismo.

Isolado, Flávio virou o saco de pancada da própria direita.

A crise explodiu com os vídeos de Michelle Bolsonaro no dia 24 de junho, com mais de 25 minutos de desabafo.

Michelle disse ter levado uma apunhalada política e relatou ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio no telefone.

Michelle e Damares Alves passaram a acusar o mesmo mecanismo.

Segundo elas, o gabinete do ódio é ancorado em bolsonaristas que operam dos Estados Unidos, disparando mensagens para denegrir a imagem das duas.

Apesar disso, nessa quinta-feira Michelle divulgou um vídeo em apoio ao Flávio, a pedido do Valdermar Costa Neto, presidente do PL. Ela afirmou que os irão conversar e que o perdoou.

Damares, que ajudava no plano de governo de Flávio, deixou o grupo após sofrer ataques de aliados do senador.

Governadores como Caiado e Zema aproveitaram a brecha para criticar a imposição do sobrenome.

Tarcísio de Freitas entrou como fiador constrangido, dizendo que seu projeto é a reeleição em São Paulo e declarando apoio por lealdade, sem transferir capital político.

Eduardo Leite se descolou de todos e subiu o tom, dizendo que trocar o governo por um nome ligado ao bolsonarismo não resolve a polarização.

No campo jovem, Flávio precisou correr atrás de Nikolas Ferreira, criticando o próprio irmão para chamar Nikolas de maior potência digital e moleque de ouro.

Por fora, o MBL faz o papel de carrasco, tratando Flávio como candidatura dinástica e usando o telhado de vidro para desmoralizá-lo.

Acusado de liderar as rachadinhas na Alerj, Flávio teve o caso arquivado apenas por tecnicalidade, com STJ anulando por incompetência e STF anulando relatórios do Coaf.

Arquivado na Justiça, o tema segue vivo politicamente e justifica a decisão de PP e União Brasil de decretar independência.

Por isso, na leitura da direita hoje, Flávio foi a pior escolha do pai e o responsável por deixar o clã sem partido, sem aliados e sem palanque nacional.

Por Sérgio Botêlho Júnior

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