Donatela teve sua vida mudada após viajar ao Brasil e conhecer o verdadeiro amor

Uma entidade dedicada a resgatar vidas de crianças, adolescentes, jovens e adultos, por meio da pedagogia-presença, oferecendo uma nova chance para reescrever a história de vida de cada acolhido. Estamos falando da obra social Casa do Menor São Miguel Arcanjo, fundada pelo padre Renato Chiera, que há mais de 35 anos é referência mundial e guarda histórias para lá de inspiradoras de voluntários e colaboradores que ajudam a ser presença de família para os abandonados, que vivem a margem da sociedade.

A ImagineAcredite entrevistou com exclusividade a Diretora Executiva da Casa do Menor Itália, Donatella Martini, que em 2004, ao visitar a instituição no Brasil, descobriu o chamado de Deus para servir os menos favorecidos. Nascida em uma família unida, a diretora viu sua vida mudar quando sua mãe, aos 46 anos, faleceu. Mas com ajuda de seu pai e seu irmão, os medos se transformaram em uma força de superação. E por ter tido uma vida cômoda, em nenhum momento, antes de conhecer a instituição, se aproximou do trabalho social, apesar de ver sempre seu pai ajudando ao próximo.

Ela descreveu como conheceu a obra social. “Eu conheci a Casa do Menor por acaso, porque eu nunca ouvi falar da Casa do Menor, nunca ouvi falar do padre Renato aqui na Itália. Eu tinha uma vida completamente diferente. Eu trabalhava na empresa da minha família. E uma amiga, que trabalhava para o sócio fundador da Casa do Menor, tava com a curiosidade de conhecer esta obra, só que ela tinha medo de viajar sozinha, então perguntou pra mim se era possível fazer esta viagem juntas. E assim foi em 2004, mais ou menos, dezembro”, lembra.

Segundo Donatella, o que mais chamou a sua atenção foi o calor humano brasileiro, que é diferente de qualquer país. “O que me impressionou na Casa foram os olhos e os sorrisos dos meninos. Eu gostei, eu senti uma acolhida maravilhosa que na Itália se conhece um pouco no Sul, mas no Norte nós somos muito frios. Então, foi bem diferente. Esse calor do povo brasileiro que me conquistou. Só depois, eu conheci o padre nos últimos dias. E ele me falou, “quando você votar à Itália, procura o meu primo Adriano, que começou a Casa do Menor Itália”. Eu voltei, fui conhecer o Adriano, ele era uma maravilha, infelizmente, ano passado faleceu.”, revela a diretora como conheceu o padre Renato.

“Eu pensava em ajudar só na parte econômica, porque eu tinha uma vida bem-organizada. Mas, Deus tinha um projeto diferente pra mim. E a minha vida mudou. Eu e o meu irmão tivemos alguns problemas pra gerenciar a empresa. Então, eu pedi pra sair um ano pra pensar o meu futuro, mas nunca pensei em deixar a empresa da família. Isso foi um ano depois que conheci a Casa do Menor. E a coisa mais engraçada foi que o Adriano não teve medo de me oferecer um trabalho, um salário muito baixo. Então falei, “se você quer me contratar, eu aceito”, aí começamos”, explica Donatella como começou seu trabalho na instituição da Itália, que tem um papel primordial há 25 anos captando recursos para financiar as atividades da obra no Brasil.

E por amor as crianças menos favorecidas, a diretora, que na época era contadora na empresa da família, tomou a decisão de deixar tudo e viver essa experiência maravilhosa.  “No início, a minha cabecinha era bem pequena, porque eu só pensava em resolver com dinheiro. Tinha muito limite no meu raciocínio. Depois as coisas caminharam sozinhas e foi Deus que mudou as cartas na minha mão, porque eu nunca pensava em deixar a minha vida. E o padre Renato era tão racional que nem pensava que era possível mudar assim. Mas no momento que conheci a Casa do Menor, eu também acreditei na providência. Então, foram minhas crianças, foi o trabalho concreto que me conquistou. As pessoas ajudando em forma concreta, os cursos profissionalizantes, as Casas lares, as famílias que tentavam se criar nas Casas”, justifica.

Para Donatella, a Casa do Menor representa salvação de vidas. “Depois que deixei a minha empresa fiquei de uma forma estressada, depressiva. E a Casa do Menor me salvou, tá me ensinando muito a pedagogia da Casa do Menor, a humildade, está ensinando muito”.  Questionada sobre o padre Renato, ela o retrata com uma pessoa especial que teve a sorte de conhecer. “Eu conheci a humildade de um padre que pra os filhos ele vai fazer tudo. Porque não é fácil pedir ajuda. Você tenta compreender as dificuldades das pessoas europeias, porque nós temos a nossa cabeça, o nosso costume, a cultura diferente, e ele não desiste. O padre explica por que esse dinheiro vai ser importante, o que ele vai fazer com este dinheiro, que vai salvar vidas. Quando ele me falava, eu pensava que era um slogan. Mas depois eu vi a verdade. São 15 anos que eu viajo ao Brasil, eu vi humildade no padre”, argumenta.

Pedagogia-presença na Itália é realidade

Na Europa, especificamente na Itália, a Casa do Menor é realidade. Há 25 anos ajudando a manter a instituição no Brasil, hoje, o povo italiano também começa a sentir a presença concreta dos colaboradores que andam pelas ruas na esperança de oferecer um novo caminho para quem está em situação de vulnerabilidade social. “A experiência que nasceu de tantos anos de trabalho no Brasil, ao lado dos últimos, a Casa do Menor Itália começa a ser presença concreta, porque, infelizmente, esta pandemia e outras situações tão piorando muito na Europa, fizeram crescer muito o povo de rua. Então, à noite, cada quarta-feira, vamos nas ruas para ser presença. Essa pedagogia é universal, é uma resposta concreta nas periferias existenciais”, pontua.

Na oportunidade, a diretora observou que há diversas maneiras para qualquer pessoa ser presença na vida do próximo.  “Você pode ser presença silenciosa pra uma pessoa que tá passando mal e que tá sozinha. Pode ser a presença para os sobrinhos. Ajudar nas cracolândias, nas ruas, ser a presença em pequenas coisas. Nós começamos como Casa do Menor na Itália com um projeto 7 anos atrás, mais ou menos, de experiência para jovens no Brasil. E, pra formar esse jovem, pra viajar, pra ficar um mês no Brasil, nós usamos muito o livro presença. E foi outra forma de aprender. Não era mais ler, mas tentar de concretizar uma forma verdadeira, real, tá perto desses jovens e perto também das pessoas que vivem em dificuldade. Então tem muitas formas de viver essa presença, não é só na rua. Você pode viver uma presença de amor cada minuto”, destaca.

E antes de finalizar a entrevista, Donatella respondeu que o amor que recebe da instituição, a ajudou em seu processo espiritual. E deixa como mensagem para os leitores que vivam o amor. “Pra mim amor é tudo. Porque eu, no meu limite, da espiritualidade, a Casa do Menor me ajudou. Eu comecei o meu percurso espiritual com a Casa do Menor. Então, pra mim, Deus é amor. Não é fácil, mas se você consegue viver o amor cada dia, em cada pequeno gesto, na família, nas amizades, as coisas são mais fáceis”.

Ascom ImagineAcredite

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