Sala Lilás é inaugurada na Câmara dos Deputados para acolhimento e prevenção à violência contra a mulher

A inauguração da Sala Lilás na Câmara dos Deputados foi realizada na manhã de 18 de março de 2026, no subsolo do Anexo 3. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos‑PB), descortinou a placa ao lado da esposa, Luana Medeiros Motta, e de parlamentares. Em seu discurso, afirmou que “não existe democracia plena enquanto nossas mulheres forem silenciadas pelo medo”.

O espaço é atendido por quatro policiais legislativas mulheres e oferece acolhimento a servidoras, funcionárias e visitantes em situação de violência ou vulnerabilidade. Há apoio médico, psicológico e social disponível. Motta classificou a medida como compromisso permanente da Câmara e exemplo para assembleias e câmaras municipais.

A iniciativa tem origem no programa “Antes que Aconteça”, criado pela senadora Daniella Ribeiro (PP‑PB), primeira‑secretária do Senado em 200 anos. Paraibana de Campina Grande, ela lembrou que o tema mulher ocupava apenas 0,01% do orçamento. Relatou a luta para garantir cerca de R$ 130 milhões para a ação programática.

Desde 2023, a Paraíba funciona como estado‑piloto, com 52 salas lilás e o tema violência contra a mulher inserido como conteúdo transversal na grade curricular das escolas. Em seu discurso, Daniella trouxe histórias pessoais de violência e pediu aos homens que interrompam piadas misóginas nos grupos de WhatsApp. Agradeceu a Hugo Motta e colegas por transformarem o projeto em política pública nacional aprovada por unanimidade.

Pela bancada feminina, a deputada Jack Rocha (PT‑ES), coordenadora do grupo, afirmou que a Sala Lilás “representa 105 milhões de mulheres e materializa o diálogo da bancada com a presidência da Casa”. Lembrou que 74% dos casos de violência ocorrem no lar, o que reforça a importância de um local seguro no ambiente de trabalho. Para Jack, a sala simboliza mudança de cultura e visibilidade: mulheres não são apenas trabalhadoras, são sujeitas de direito.

A solenidade reuniu servidoras, policiais legislativas, parlamentares e representantes de entidades. Selou a cooperação entre Câmara e Senado em torno do projeto de lei 6674/25. Com o espaço em funcionamento, o Legislativo federal espera estimular a criação de salas semelhantes em todo o país, ampliando a rede de prevenção e acolhimento antes que a violência aconteça.

Por Sérgio Botêlho Júnior

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