Titânio e planejamento digital devolvem funcionalidade às presas de onça-pintada

Meu papel no caso esteve diretamente ligado ao fluxo digital, do planejamento em CAD-CAM ao desenho das novas presas. “A partir do escaneamento, desenvolvi digitalmente duas propostas protéticas com tamanhos diferentes, avaliando estética, adaptação e viabilidade biomecânica”, e participei da discussão sobre o material e o planejamento restaurador para garantir segurança funcional ao animal.

O escaneamento foi realizado com o animal sob sedação, acompanhado por equipe veterinária especializada, priorizando o bem-estar e a segurança de todos. “A principal dificuldade foi o tempo reduzido para captura, já que o procedimento precisava ser rápido e preciso, além da anatomia oral diferenciada do felino.”

Entre os materiais considerados, estavam zircônia e titânio, ambos com alta resistência mecânica. “Optamos pelo titânio por apresentar menor peso, excelente resistência estrutural e menor potencial de sobrecarga sobre a raiz remanescente, além de melhor comportamento frente às forças intensas da mordida.”

Na escolha entre a presa em tamanho natural e a reduzida, os parâmetros biomecânicos foram decisivos. “Avaliamos proporção coroa-raiz, alavanca funcional e risco de sobrecarga radicular. A versão reduzida diminui o risco de fratura radicular futura e apresentou melhor prognóstico.”

A cimentação seguiu princípios adesivos semelhantes aos da odontologia humana, com adaptações à anatomia do dente do animal. O preparo da superfície buscou máxima retenção e estabilidade clínica, e o acompanhamento será contínuo, com avaliações periódicas de adaptação, desgaste e integridade radicular.

O procedimento foi conduzido pelo dentista veterinário Dr. Floriano Pinheiro e pelo cirurgião-dentista Dr. Michel Mattar, unindo expertise clínica e tecnologia digital em um caso de alta complexidade.

Por Sérgio Botêlho Júnior

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