De Niterói (RJ) para Cabedelo (PB), Alice Cavalcante Fernandes une formação clássica e prática: fez o colegial no Liceu Nilo Peçanha, formou-se em Direito pela UFF (OAB-RJ 3822) e completou os estudos de piano no Conservatório Brasileiro de Música. Foi a primeira mulher paraibana a governar o Distrito 4500 do Rotary (PE, PB e RN) e pioneira no plantio de flores tropicais na Paraíba.
Integra três academias de letras e artes: é secretária da ACCAL Litorânea (cadeira 28, patrono Maurílio de Almeida), ocupa a cadeira 40 da AMCLAC (patronesse Zilda Arns) e a cadeira 19 da ABROL-PB (patrono Atílio Rotta), onde foi presidente e hoje é vice-presidente. No Paraná, onde morou por anos, fundou entidades beneficentes que continuam atendendo comunidades locais.
“Papai trouxe o Nordeste em seu íntimo e nos fazia valorizar suas origens. Mamãe represou seus dons artísticos por viver numa geração sem direitos reconhecidos. Essa situação me alertou para como lidar com meus dons sem precisar reprimi-los”, conta. Ela atribui ao casamento de parceria e respeito parte dessa conquista.
As artes sempre foram seu eixo. “Minhas habilidades artísticas estão entrelaçadas. Os arranjos florais expressam arte com a mesma paleta de cores que uso na pintura em acrílico ou aquarela”, diz. Além das telas, desenha e confecciona joias, faz paisagismo e trabalha com cerâmica. “Massagear a argila traz paz. Dar-lhe forma é incrível.”
Como empresária, mudou a percepção do mercado sobre a flor tropical. “O brasileiro não via a flor tropical como nobre. O trabalho em decoração de alto gabarito foi primordial para que fosse reconhecida e valorizada”, explica. O projeto rendeu viagens técnicas internacionais e participação em consórcio de exportação para a Europa.
Entre as referências que formaram seu olhar estão a Baía de Guanabara, a Praça XV e o Palácio Gustavo Capanema, com jardins de Burle Marx e azulejos de Portinari. “Meu maior desejo é deixar um legado positivo para meus netos, que sintam que tudo foi construído pensando no futuro deles”, afirma.
Por Sérgio Botêlho Júnior






