Saúde mental no trabalho avança como dever legal e desafio de gestão nas empresas

A saúde mental no ambiente corporativo deixou de ser tratada apenas como tema comportamental e passou a ocupar espaço central na agenda institucional, jurídica e de gestão das empresas. O avanço da legislação e das normas de segurança do trabalho reforça que o cuidado com o sofrimento psíquico não é opcional, mas parte das responsabilidades organizacionais diante dos impactos diretos sobre pessoas, produtividade e sustentabilidade dos negócios.

Para a psicóloga Renata Zanusso, mestre em Ciências da Saúde, o adoecimento não surge de forma repentina. “Ninguém adoece de repente. O adoecimento é um processo que pode ser percebido, interrompido e prevenido quando há consciência, método e responsabilidade”, afirma. Segundo ela, ambientes de trabalho produzem riscos concretos que precisam ser reconhecidos e geridos.

A Lei nº 14.831/2024 representa um marco ao reconhecer formalmente a saúde mental como dever institucional. A norma reforça diretrizes de promoção de ambientes saudáveis e de enfrentamento a práticas de assédio e discriminação. Na avaliação de Renata, a lei muda o eixo do debate. “Não basta dizer que se importa, é preciso demonstrar consistência, práticas e evidências”, diz.

Esse avanço legal se conecta à atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que incorporou os riscos psicossociais ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. A partir dessa lógica, fatores como sobrecarga, metas desproporcionais, insegurança psicológica, conflitos constantes e ausência de canais de escuta deixam de ser invisíveis e passam a integrar processos formais de identificação, avaliação e controle.

Renata destaca que tratar saúde mental não significa reduzir o debate à fragilidade individual nem transformá-lo em discurso genérico de bem-estar. “O que está em jogo é o nível de pressão, exposição e insegurança emocional que um ambiente de trabalho produz e o quanto a empresa tem mecanismos para reduzir danos”, explica.

Para ela, esses elementos são mensuráveis e impactam diretamente a tomada de decisão e o clima organizacional.
A especialista aponta que metas exigentes podem coexistir com equipes saudáveis, desde que haja clareza, recursos e limites. O problema surge quando a pressão se soma a práticas de humilhação, ambiguidade de papéis e medo de retaliação. “O resultado costuma ser previsível: conflitos, queda de qualidade nas decisões, afastamentos e equipes emocionalmente exaustas”, afirma.

No campo institucional, o tema também envolve o papel do poder público e dos parlamentares. Para Renata, a efetividade das normas depende de incentivo à boa prática e clareza de critérios. “Boas práticas exigem que diretrizes saiam do papel e entrem na rotina das organizações”, observa, ao defender políticas que apoiem a implementação real da prevenção.

“Promover saúde mental é proteger pessoas, mas também proteger resultados, reputação e futuro”, conclui Renata Zanusso, ao reforçar que o tema já não pode ser adiado nem tratado de forma superficial.

A psicóloga Renata Zanusso é Mestre em Ciências da Saúde, Especialista em Gestão de Pessoas: Carreiras, Liderança e Coaching, especialista em Psicologia Organizacional, especialista em Política e Estratégia Nacionais, especialista em Psicologia do Trânsito, tudo certificado.

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